terça-feira, 9 de julho de 2013

PÉROLAS MISTAS: UMA AMOSTRA DA VERSATILIDADE MUSICAL BAIANA


O que aconteceria se misturássemos num mesmo palco Os Filhos de Gandhi, Ilê Ayê + Mariella Santiago, Muzenza + Baiana System, Malê Debalê + Manuela Rodrigues, Cortejo Afro + Quésia Luz ? O resultado não seria nenhuma novidade = um brilhante espetáculo representativo da musicalidade afro-baiana tradicional e contemporânea, que pode ser conferido na noite da última terça-feira (18/06) na sala principal do Teatro Castro Alves. O show integrou o projeto Culturas em Campo promovido pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado (SecultBA) durante o período da Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013.

Verdadeiras pérolas da música baiana realizaram interessantes parcerias, já tão comum no nosso meio musical,  entre os tradicionais blocos afros de Salvador e a nova geração de músicos da Bahia, que deixou o público impressionado e empolgado. As apresentações musicais tiveram o auxílio eficaz de um corpo de dançarinos sincronizados com os músicos e com o cenário, caracterizado pela simplicidade e pela beleza, e da tecnologia, através da iluminação e da projeção de imagens.





FERNANDO PESSOA EM VERSOS E NOTAS MUSICAIS



A Mensagem de Fernando Pessoa é o nome do espetáculo musical com poemas do livro Mensagem de Fernando Pessoa, musicados e interpretados pelo cineasta, músico e escritor baiano André Luiz Oliveira, apresentado na primeira edição do CINESomBa, mostra de longas, curtas, videoclipes, instalação sonora, videomapping e shows que ocorreu entre os dias 14 e 16 de junho no Complexo Cultural dos Barris, em Salvador. Fizeram parte do show o próprio autor das músicas na voz e violão e os músicos Cláudio Vinícius nos teclados e viola caipira e Ocelo Mendonça na flauta e violoncelo. Participaram ainda como convidadas especiais a cantora e compositora Mariella Santiago e a fadista portuguesa Glória de Lurdes.

O show é parte do Projeto Mensagem que André Luiz Oliveira vem realizando há 28 anos com a gravação dos 44 poemas do livro Mensagem de Fernando Pessoa totalizando 3 CDs, 3 DVDs e dois documentários. Os poemas musicados são interpretados por grandes nomes da música popular brasileira e de Portugal como: Caetano Veloso, Daniela Mercury, Dulce Pontes, Edson Cordeiro, Elba Ramalho, Elizeth Cardoso, Fagner, Gal Costa, Gilberto Gil, Gloria de Lurdes, Milton Nascimento, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Zizi Possi, entre outros. No documentário mais recente, "A Mensagem de Fernando Pessoa - mito e música", dirigido pelo próprio André Oliveira e exibido recentemente na Sala Walter da Silveira, é possível conferir um pouco do histórico de realização deste projeto musical.

Mensagem foi o único livro concluído publicado em vida pelo grande poeta português Fernando Pessoa, que passou 22 anos de sua vida (de 1912 a 1934) escrevendo, entre outros textos, os 44 poemas que compõem o livro. O ambicioso projeto de André Luiz Oliveira de musicar todos os poemas de Mensagem também consumiu muitos anos de trabalho e dedicação (de 1985 a 2013).




sexta-feira, 5 de abril de 2013

TEORIZAÇÕES SOBRE O AMOR (POEMA)


Eu te amo porque te amo
O poeta estava certo
Não há o que explicar
O amor foge a regras,
normas e teorizações
É avesso a racionalidade
O amor é eterno
Ultrapassa qualquer forma
de humanidade
O amor é perfeito
Mesmo quando erra,
acerta
O amor é fiel
Sabe o real sentido
de pertencer
O amor é forte
não teme a morte.

Autoria: Lecco França

O SILÊNCIO DO ESPANTALHO (POEMA)


I

Eu nunca ouvi a voz de um espantalho.

II

Espanta-me a inquietação de seu corpo
que se move incessantemente
mas mesmo assim não consigo imaginar
a dor ou a alegria que sente.

III

Eu vi um espantalho hoje
que deve ter dito algo antes:
sua boca estava costurada.

Autoria: Lecco França

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AMOR EM UMA NOVA ESTAÇÃO


É sempre tempo de amar!

E o amor acontece em qualquer estação
Seja inverno ou verão

É sempre momento de aquecer
O coração
O clima da estação
Favorece a paixão

Depois do verão
Vem o outono
Que desperta em mim
O desejo de mudar

Para no inverno
Eu poder me recolher
E ansiosamente esperar
O recomeço

Então a primavera
Revela a natureza mais bela,
A renovação
Reforça o anseio do beijo
E do cheiro de amar
Renasce o desejo no peito
De um amor encontrar.

Salvador, 27/06/2009


terça-feira, 18 de agosto de 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO "O NEGRO NO SÉCULO XXI", DE LUISLINDA VALOIS


Com vinte e cinco anos dedicados à magistratura, a baiana Luislinda Valois agrega o título de primeira juíza negra do país. Como muitos negros brasileiros, em especial as mulheres negras, sofreu situações de preconceitos durante toda a vida. Estas situações motivaram-na a registrar a difícil realidade do afro-descendente no livro “O Negro no Século XXI”, que será lançado pelas Editoras Saraiva e Juruá, no próximo dia 26 de agosto, em Salvador.


Aos nove anos, Luislinda ouviu de um professor que deveria “parar de estudar para cozinhar feijoada em casa de branco”. Como juíza, ela já proferiu sentenças inéditas. Uma delas – a primeira contra o racismo no Brasil – integra o acervo de um dos principais museus de Paris.

Confira abaixo uma crítica sobre o livro publicada na Revista Muito, do Jornal A TARDE, em 25/07/09 (por Tatiana Mendonça): “Toda vida dá um livro? A história da baiana Luislinda Dias de Valois Santos renderia um dos bons. Teria aquele tom épico de quem venceu a pobreza e cumpriu uma promessa, deixaria no finalzinho aquela faísca inspiradora capaz de nos fazer acreditar que basta trabalhar e persistir para nos tornarmos quem queremos ser. O professor de Luislinda esperava que ela passasse a vida cozinhando na casa dos brancos, teve a crueldade de lhe dizer isso, mas Luislinda, então com 9 anos, retrucou-o dizendo que na verdade seria juíza. Dito e feito. Tornou-se a primeira juíza negra do Brasil, não à toa a primeira magistrada a proferir uma sentença contra racismo no país”.


Uma pena, mas não é disso de que trata seu primeiro livro, “O negro no século XXI” (Editora Juruá), que Luislinda lança em agosto na Bahia (em junho foi lançado em Curitiba, onde a magistrada morou por oito anos). Em setenta e duas páginas, a juíza tenta fazer um panorama da situação atual do negro em diversas áreas (lazer, educação, trabalho, justiça social, políticas públicas, esporte) e acaba perdendo-se na abrangência desses temas. Luislinda tem o mérito de trocar o ‘juridiquês’ por uma linguagem simples e direta, mas o resultado é um texto que tem mais generalizações que referências, mais lugares-comuns que histórias do seu cotidiano com as quais poderia ter presenteado os leitores.

Leia um trecho do livro:
“Precisamos garantir aos negros pobres, das periferias, o direito à água potável, ao ar puro, à não contaminação, ao saneamento básico, ao abrigo digno, à alimentação saudável. Isso não ocorre, atualmente, nas grandes metrópoles, que não oferecem políticas públicas para as comunidades periféricas. Poucas são as oportunidades criadas no intuito de construir uma sociedade mais democrática e humana. Quando as necessidades básicas forem garantidas, poderemos alcançar o desenvolvimento de uma classe voltada a Ser mais e não a Ter mais, na qual atualmente o negro poderá integrar-se ao contexto como parte atuante na promoção do desenvolvimento”.






Lançamento do livro “O negro no século XXI”, de Luislinda Dias de Valois Santos, 26 de agosto de 2009, na Livraria Saraiva (Salvador Shopping), às 19h30.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

INFÂNCIA

Defronta-se sobre a janela
A criança
As pessoas passam
O tempo passa
A criança brinca
Sozinha
E a sua imaginação
E cria um mundo particular
A vida, uma quimera,
Segue seus desejos,
Suas expectativas
A criança sonha
E em sua mente
Seus sonhos
Tornam-se realidade